Saúde da Mulher

Câncer de mama: a importância da prevenção e do diagnóstico precoce – Outubro Rosa

O mês de outubro já começou e com ele, me senti na obrigação de falar um pouquinho sobre o Outubro Rosa. A gente sabe que o câncer de mama acomete na sua grande maioria mulheres, e como 97% dos acessos do blog são de mulheres, preciso abordar esse tema aqui também!

A gente fala de casamento, mas também falamos de tudo que envolve o universo feminino, e a prevenção do câncer de mama é de extrema importância para ser abordado aqui.  Para isso, convidei  a Dra. Joana, ginecologista e obstetra, que entende muito do assunto, para escrever um post com todas as informações necessárias para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama que afeta milhares de pessoas no mundo inteiro.

22222

Câncer de mama: a importância da prevenção e do diagnóstico precoce – Outubro Rosa

O outubro rosa é um movimento internacionalmente reconhecido e comemorado em todo mundo, onde estimula a participação da população no controle do câncer de mama, tem o objetivo de compartilhar informações, promover a conscientização sobre a doença, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade. Então hoje é dia de falar sobre o câncer de mama.

cancer de mama1

O câncer de mama é a neoplasia maligna mais frequente na mulher brasileira, excluindo o câncer de pele. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para o ano de 2016 foram estimados 57.960 casos novos, que representam uma taxa de incidência de 56,2 casos por 100.000 mulheres. Representando 25% do total de casos de câncer no mundo em 2012, com aproximadamente 1,7 milhão de casos novos naquele ano. É a quinta causa de morte por câncer em geral (522.000 óbitos) e a causa mais frequente de morte por câncer em mulheres.

Sintomas

O câncer de mama, assim como a maioria das neoplasias, em seus estágios iniciais é assintomático e podem ser identificado apenas através de exames de rastreamento. O sintoma mais comum de câncer de mama é o aparecimento de nódulo, geralmente indolor, duro e irregular, mas há tumores que são de consistência branda, globosos e bem definidos.

Outros sinais de câncer de mama são edema cutâneo semelhante à casca de laranja, retração cutânea, dor, inversão do mamilo, hiperemia (vermelhidão), descamação ou ulceração do mamilo, e secreção papilar, especialmente quando é unilateral e espontânea. A secreção associada ao câncer geralmente é transparente, podendo ser rosada ou avermelhada devido à presença de glóbulos vermelhos. Podem também surgir linfonodos palpáveis na axila.

Fatores de risco

O rastreamento adequado é de extrema importância para as mulheres com maior risco de desenvolver câncer de mama. Para isso é importante identificar os fatores de risco, e utilizar estas informações para recomendação da modalidade e frequência do método de rastreamento. O câncer de mama não tem uma causa única. Diversos fatores podem ser relacionados ao aumento do risco de desenvolver a doença.

Hoje sabemos que 5 a 10% dos casos de câncer de mama são de caráter hereditário, devido à presença de mutações em determinados genes. Mulheres com história familiar recorrente de câncer de mama e/ou ovário, sobretudo em idade jovem ou câncer de mama em homens, podem ter predisposição genética e são consideradas de maior risco para a doença. Além do fator hereditário, são considerados fatores de risco para o câncer de mama:

– sexo feminino,

– idade maior que 50 anos,

– antecedente pessoal de câncer de mama,

– história familiar, parente de primeiro grau (mãe ou irmã), especialmente bilateral e na pré-menopausa,

– nuliparidade (não ter filhos),

– primeiro parto após os 30 anos,

– menarca precoce (idade da primeira menstruação menor que 12 anos)

– menopausa tardia (após os 55 anos)

– terapia de reposição hormonal pós menopausa

– ingestão de bebida alcoólica

– sobrepeso e obesidade na pós menopausa

– exposição à radiação ionizante

Os fatores hereditários e os associados ao ciclo reprodutivo da mulher não são, em sua maioria, modificáveis, porém fatores como excesso de peso corporal, consumo de álcool e terapia de reposição hormonal, são, em princípio, passíveis de mudança. Estima-se que, por meio da alimentação, nutrição, atividade física e gordura corporal adequados, é possível reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver câncer de mama no Brasil. Amamentar é também um fator protetor.

Rastreamento

A mulher deve realizar a autopalpação/observação das mamas sempre que se sentir confortável para tal (seja no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano), sem nenhuma recomendação de técnica específica, valorizando-se a descoberta casual de pequenas alterações mamárias. É necessário que a mulher seja estimulada a procurar esclarecimento médico sempre que perceber alguma alteração suspeita em suas mamas e a participar das ações de detecção precoce do câncer de mama.

cancer de mama2

No Brasil o método de escolha para o rastreamento do câncer de mama, de acordo com o documento INCA sobre Diretrizes para detecção Precoce do Câncer de Mama, publicado em 2015, é a mamografia. Este é o único exame que aplicado aos programas de rastreamento apresenta eficácia comprovada na redução da mortalidade. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde a mamografia de rotina é recomendada para as mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos.

Recomendações internacionais sugerem que mulheres com menos de 40 anos não necessitam de rastreamento, visto que a incidência é baixa e a mamografia não possui a mesma capacidade diagnóstica em mamas jovens. No entanto essa faixa etária esta em discussão, cerca de 5% dos casos no mundo ocorrem em mulheres entre 30 e 40 anos, com tumores que tendem a ser diagnosticados em fases mais avançadas. O diagnóstico nessa faixa etária é dificultado, pois mamas jovens tendem a ser mais densas, ter nódulos benignos ou apresentar mudanças na textura devido ao período menstrual. Ainda de acordo com recomendações internacionais, para mulheres com 40 a 49 anos a decisão de rastreamento deve ser individualizada, o rastreamento não deve ser interrompido até os 75 anos, e para mulheres com expectativa de vida maior que 10 anos aos 75 anos o rastreamento também deve ser mantido.

O câncer de mama recebe uma atenção especial durante o mês de outubro, mas os cuidados e o foco na prevenção da doença devem se estender por todos os meses do ano.

 

Dra. Joana Carolina de Resende Paula
Ginecologista & Obstetra – CRM-MG 58156

logo001